
No portal da UNESCO pode ler-se que ao longo dos últimos dez anos, assistimos a uma escalada dramática da violência para com os jornalistas, profissionais dos media e pessoal associado. Em muitos países do mundo, os profissionais são perseguidos, agredidos, presos e mesmo assassinados. Segundo as organizações profissionais, 2006 foi o ano mais mortífero, com mais de 150 profissionais dos media mortos. Centenas foram capturados, ameaçados ou agredidos devido à sua profissão. Nunca foi tão perigoso ser jornalista.
Sabemos que as zonas de conflito – e as zonas de pós-conflito – são particularmente perigosas para os jornalistas. O Iraque, onde 69 profissionais dos media foram mortos no ano passado, é desta realidade a pior ilustração. Mais de 170 profissionais dos media, a maioria jornalistas locais, foram aí assassinados desde o início do conflito em 2003. É a primeira vez na história que são assassinados tantos jornalistas.
Aqueles que arriscam a vida para comunicar informações independentes e viáveis merecem a nossa admiração, o nosso respeito e o nosso apoio. Sabem melhor que ninguém que os media muito contribuem para os processos de responsabilização, de reconstrução e de reconciliação. De facto, o aumento da violência para com os jornalistas é um testemunho eloquente, embora trágico, da importância dos media para as democracias modernas.
A directora-geral da UNESCO pediu esta segunda-feira, no dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se faça um minuto de silêncio pelos jornalistas que morreram em trabalho.
A liberdade de informação é o tema deste ano do dia Mundial da Liberdade de Imprensa. "O direito de saber é fundamental para a defesa de outros direitos fundamentais, para promover a transparência, justiça e desenvolvimento", refere Irina Bokova, adiantando que a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão "reforçam a democracia".
A Liberdade de Imprensa recuou em todo o mundo pelo oitavo ano consecutivo, segundo dados estatísticos da Freedom House, ONG Americana.
A degradação mais sensível verifica-se em África, na America Latina e no Médio Oriente. Na America Latina, os recuos mais flagrantes foram revelados no México e Honduras, enquanto no Equador, Nicarágua e Venezuela, a situação tem-se deteriorado significativamente.
Na Ásia, o Bangladesh e o Butão, passaram do estatuto de "não livres" a "parcialmente livres". A India e a Indonésia registaram algumas melhorias entre alguns dos países asiáticos, onde a China continua a não respeitar a liberdade de expressão.
Segundo a ONG americana, os dez países considerados como os piores em matéria de Liberdade de Imprensa, são: Bielorússia, Birmânia, Cuba, Guiné Equatorial, Eritreia, Irão, Líbia, Coreia do Norte, Turquemenistão e Uzebequistão.