domingo, 1 de novembro de 2009

Jogos Olímpicos na "Cidade Maravilhosa": A que preço?

Fase dos tumultos no Rio de Janeiro

Quinze dias após ter sido escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro voltou a ser notícia na imprensa internacional. Mas desta vez, devido a um problema endémico: a violência urbana.
No dia 17 do passado mês de Outubro, traficantes de droga abateram um helicóptero da polícia. A aeronave explodiu, matando três policias. O atentado aconteceu durante uma tentativa de invasão ao morro dos Macacos, na Zona Norte, por criminosos do Comando Vermelho, que dominam o tráfico no morro vizinho.
Além dos 41 mortos nos confrontos no Morro dos Macacos e no Morro São João, dez autocarros foram incendiados e 41 pessoas foram detidas. Infelizmente, e apesar de grave, o episódio é quase vulgar no quotidiano carioca.
Mas o que chamou à atenção foi o facto ter ocorrido após a cidade ter sido escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. De imediato, a imprensa estrangeira questionou a capacidade de as autoridades governamentais brasileiras poderem garantir a segurança dos atletas (e dos espectadores) durante o evento. E com toda a legítimidade.
O Rio de Janeiro, conhecido também como "Cidade Maravilhosa", é a segunda maior cidade do país, com cerca de seis milhões e meio de habitantes, mas o quinto estado brasileiro com maior taxa de homicídios: 33 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Por outro lado, possui a polícia que mais mortes faz. Em 2008, foram 1137 mortos em confrontos com redes criminosas organizadas, taxa sete vezes maior que qualquer outra região do país. Os gastos totais em segurança no Rio, atingem 12% do orçamento do Estado, quase o dobro de São Paulo (7,4%) e pouco menos que o de Minas Gerais (12,5%).
Os Jogos Olímpicos podem até forçar o Estado a resolver, nos próximos sete anos, um problema que já dura há décadas. Mas uma questão mais importante se coloca: Como é que o Governo poderá oferecer segurança à população, que coabita diariamente com os conflitos armados entre policias e criminosos?.
A importante metrópole, que foi capital do Brasil de 1763 até 1960, é também o principal destino de turistas estrangeiros. Por isso, funciona como uma espécie de "vitrine" do país para o mundo.
Como vai Lula da Silva resolver o problema das 1020 favelas e dos criminosos à solta até aos Jogos Olímpicos de 2016? Se é possível tornar o Rio de Janeiro uma cidade segura, pelo menos durante o evento, tem sido a questão na ordem do dia.
"Dissemos ao Comité Olímpico Internacional que não ia ser fácil e eles sabem disso", confessou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. "Não queremos apenas estar prontos para os dias de festa - para isso podemos colocar 40 mil polícias nas ruas. Disse-lhes que queria chegar a 2016 e ter um Rio de Janeiro pacífico antes, durante e depois dos Jogos. O desafio é construir a segurança de facto".


Ps – Oxalá, porque seria um desperdício para um país que nos últimos anos tem feito progressos notáveis em muitos domínios, com excepção da segurança, infelizmente...
É que pelos pecadores, os justos não podem, nem devem pagar!

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