quarta-feira, 7 de abril de 2010

Será a pedofilia um exclusivo da Igreja?


A Igreja Católica atravessa um período de sofrimento, dor e consternação em consequência dos escândalos de pedofilia vindos recentemente a público em países como a Irlanda, Áustria, Alemanha, Brasil, Holanda ou Estados Unidos.
O abuso e exploração sexual de menores, além de crime, é um pecado grave, que acaba por descredibilizar – e muito – a Igreja. É um facto. Mas a pedofilia é um problema abominável que envolve toda a sociedade, e não só a Igreja Católica, como se quer fazer crer.

Os recentes ataques mediáticos têm por objectivo desgastar a autoridade do Papa. Mas é bom não esquecer que foi Ratzinger quem mostrou "tolerância zero" aos abusos sexuais na Igreja.
Bento XVI considerou, na carta pastoral aos católicos irlandeses, que os abusos sexuais são "actos criminosos, um pecado contra Deus e uma traição à Igreja". Crimes cuja punição é crucial para a credibilidade moral da Igreja. O Papa exprimiu ainda a "vergonha” e os"remorsos” de toda a Igreja face ao escândalo de pedofilia no clero, anunciando iniciativas para promover "a cicatrização e a renovação”, como naturalmente se impõe.

Defendo a "tolerância zero" para os casos de pedófilia, que devem ser punidos tanto pelo código da Igreja como pelos tribunais civis. Mas não nos podemos esquecer que uma grande maioria de padres e religiosos vivem uma vida de sacrifício e compromisso para com a sociedade. Portanto, é injusto apresentá-los como se todos fossem pedófilos.
Sem querer de forma alguma desculpar quem cometeu tais crimes, afinal os padres, como homens que são, estão sujeitos a desequilíbrios como o mais comum dos mortais.
Entendo que de certa forma a Igreja está a ser um "bode expiatório" para um problema que envolve toda a sociedade. E como não se pode bater na sociedade, porque outros valores se levantam, bate-se na Igreja, que é um alvo mais acessível e exposto com maior facilidade, sobretudo a alguns lobbies anti-igreja que aproveitam para tentar descredibilizar esta instituição secular.

Li num artigo de opinião de um jornal português que se um ET chegasse hoje à Terra, ficaria a pensar que a Igreja Católica tem o monopólio da pedofilia, e colocaria a palavra "padre" como único sinónimo da palavra "pedófilo". E tem razão o autor.
O assunto está a ter um eco enorme nos meios de comunicação social e a merecer a atenção de todos. É importante que se fale no assunto porque os culpados devem ser punidos com severidade. Mas por que razão só se fala da pedofilia de alguns padres católicos? Por que razão a pedofilia só é discutida quando surgem casos na Igreja?
É bom lembrar que a Organização Mundial de Saúde considera a pedofilia uma enfermidade. Sendo um problema grave, os actos dos padres pedófilos representam uma ínfima parte do todo.
E a pedofilia do primo, do pai, do vizinho, do professor? Não é grave? Batemos na Igreja para nos sentirmos bem. Batemos na Igreja para não termos de olhar para o lixo que se encontra à nossa volta, e muitas vezes na nossa própria casa.

A Igreja Católica não é sinónimo de pedofilia. Aproveitar os erros de uns quantos padres e religiosos para denegrir a Igreja e a Fé de milhões de pessoas é uma aberrante desonestidade. Quando um professor é acusado de pedofilia, lembramo-nos de colocar em causa a sua profissão? Perante um professor pedófilo, alguém se lembra de colocar em causa a ideia de "escola pública?" Muitos defendem que a pedofilia resulta do celibato dos padres. Não concordo, porque os pais, primos e irmãos que violam as filhas, primas ou irmãs não são celibatários.
A pederastia praticada por clérigos, diz o Direito Canónico, é um pecado gravíssimo, que incorre em penas duras. É um delito que deve ser castigado. Então castiguem quem os cometeu e deixem os outros em paz!

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